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2 de julho de 2012

Viver assim eu não quero...


Agora veja,
se tem como viver nesse pobreza,
pobreza de espírito
de um ser desunido. 
Ser covarde e viver 
na tempestade
e mal poder
falar a verdade.

Ser comodista
em um mundo
de golpistas que
só querem a maldade.

Ser brasileiro
sem qualquer dignidade,
sem valor da humanidade,
que só quer ganhar vantagem.

Ser falso e dançar
conforme a música,
a música da mentira
desse povo embaraçado...

Que vive a vida 
no interesse se passando 
por bonzinho,
se fingindo bom vizinho.

Ser vaselina e não ter 
nem mesmo a rima 
de opinar o que não desce,
o que engorda e emagrece.

Ser invejoso
e cobiçar o do vizinho
porque o dele é bonitinho
e o seu é engraçadinho.

Ser Coca-Cola
e viver só na pressão,
sem querer dar o seu gás
pra ganhar seu um milhão.

Ter preconceito
nesse mundo colorido
de pessoas de todos os tipos
que só querem o carnaval.

Ser puxa-saco
dos otários que se acham
e não tem nada no saco
pra fazer e acontecer.

Ser pessimista, não acreditar na sorte,
conformar-se com a descida
e crer que a vida está perdida.
Acaba não tendo a paz prometida.

Ganancioso, querendo sempre
mais que os outros,
se amanhã o que se tem
pode desaparecer.

Ser egoísta
e querer só para si
o que Deus
mandou dividir.

Pessoa fria
que vive em nostalgia
de uma vida calculista,
sem dar ou receber.

Viver assim, eu não quero!

Quero ser sincera, doa a quem doer.
Se eu não gosto, não preciso conviver
sem meio-termo pra poder aparecer...
Ser aprendiz e viver sem cicatriz.


(((Camila Senna)))

Toda...



Estou completa em minha poesia.
Me entrego sem pedaços, estou toda!
De tudo falo de mim.
Meu único ritual é escrever meus versos barulhentos...
Não penso no porvir, nem no fim.
Penso em mim como uma história
Que pessoas vão ler e não vão esquecer.
Nos meus versos barulhentos estão...
Toda minha inimiga insônia,
Toda minha prepotente angústia,
Toda minha vontade alegria,
Todo meu intrínseco amor.
Meu verso é singular.
Nele derramo sangue vivo, que em minha alma forte, pulsa.
Meus versos sadios e profanos...
Meus versos puros tingidos de vinho...
Que uns gostam e outros não...
Estão compostos toda minha excentricidade,
Minha maldade, minha bondade.
Espalho toda a minha queixa,
Embelezo toda minha malícia,
Rasgo a roupa,
Ando nua em tiroteio.
Me vejo num espelho.
Eles falam, me denunciam.
Entrego-me sem questionar o que vão pensar,
Escrevo-os despida de preconceitos. 

((( Camila Senna )))