5 de janeiro de 2012

Manifesto da Alma...

  
Sem meu quasar.
 

Por que eu escrevo?
Para não morrer de dor
Uma dor na alma abusada,
Latente, insistente,
Essa dor me atira a queima roupa,
Me tira a calma, me estapeia a alma.

Escrevo o não vivido,
Escrevo por escrever,
E numa dessas escritas
Depois entendo o porquê!

Rabisco meus traços
Que se fundem com meus fracassos
Que se fundem com minhas paixões
Que se fundem com minhas quimeras.

Escrevo o meu inconsciente
Escrevo o absurdo de mim
A mentira de mim,
As atrocidades de mim.

Escrevo todo meu sexo
Todo meu amor
Derramo sobre meus versos...
Pitadas de charme, rebeldia e melancolia.

Queria ser cruel
Queria ser fria
Queria ser escorregadia
Queria ser fel.

Mais sou emoção
Sou quente
Sou apaixonada
Sou mel.

Mas estou vivendo
Sem a pedra indicada
Sem o mar perfeito
Sem meu quasar.


 ((( Camila Senna )))
 
 
 
 

Um pouco de muitas...
 

Um pouco de Frida Kahlo
Chacoalhando a vida
Plantando flores na avenida
Colhendo pó, dor e despedidas.

Um pouco de
Pagú
Arteira, amante do interno
Moderno da revolução,
Revoltada interrogação?

Um pouco de
Maria...
Várias Marias,
Parida com manias
Intérprete de mim mesma.

Um pouco
cigana
Sem umbanda, sem nome...
Cheia de cores, com flores na saia
Girando, gingando, cantando...

Um pouco
indecente
Singela criança
Carente com dentes
Urgente semente. 


Assusto...
Chuto o pau da barraca
Não temo ninguém e a nada
Intensa, ansiosa, corajosa...
Quando erro, boto a cara,
não nego!

Sou lembrança...
Esperada do destino...

Sou dedicada às vidas que a minha deu.
Sou barulho...
Quando pensativa e muda,

Culpo a lua, a xingo de puta.

Tantas se encaixam em mim
Tantas moram em mim...


Sou muitas,
Sou nada,
Sou estrela
Sou terra batida
Sou fera ferida
Sou abrigo
Sou o ódio
Sou o amor
Sou poeta!

Escrevo para não morrer de dor

Sou quem você quiser,
Sou quem eu quero ser.
O que bem sabia de mim,
Não está mais aqui, deixaram morrer!


((( Camila Senna )))





Camaleoa...
 
Enigmática às vezes,
Divertida quando no fundo estou triste...
Séria e zen quando as coisas fluem bem.
Mais o meu natural mesmo é não ser normal.
Meus pés criam asas do nada...
Tenho asas invisíveis que só eu sei.
Só eu sei o tamanho,
Só eu sei o preço que eu pago, só eu sei. 


Essa cocaína que naturalmente exalo...
É de mim, mora nas entranhas
Das estranhezas de minha alma.
Alma sincera, quando maliciosa, camaleoa. 


Minha cor não tem cor definida,
Todas as mulheres moram em mim.
Às vezes inflama e bum, explode...
Sou paixão, terreno perigoso...
Contramão para os indecisos e logo aviso!
Não ouse entrar sem total asserção. 


Figo viçoso,
Flor de espinho,
Vinho sozinho,
Carinho sem ninho.
Destino sem direção.


Não tenho certeza de muitas certezas,
Quimera, sorriso, fada...
Atmosfera sem muito sentido,
Primavera fora de época,
Triste sem preconceito de ser...
Idealista sem inquisição,
Nômade com endereço certo.


Espelho, espelho meu...
Quem de verdade, sou eu?
Uma fulana,
Uma sicrana
Ou uma beltrana. 


No fundo, no fundo,
Quero morrer sem saber
Vai perder a graça,
A graça dos meus traços...
Eles escorrem e saem sem medo por aí,
Sem lei, invisível, indomável.


Girando, cantando, sorrindo...
Chorando, chorando, chorando,
Esperando, desejando, possuindo...
Em chamas.
Liberta sem trama, sem máscara.
Só com um sorriso largo, seja feliz ou triste,
Meu verdadeiro estado.

((( Camila Senna )))






Compositora da minha estrada... 

  Tenho caminhado...
Caminhando sempre estarei,
Não paro e nem olho para o lado.
Caminhando tenho visto afogados,
Caminhando tenho sentido o mundo vazio.

Quero que a lua gigante que em mim habita...
Pare de gemer e se liberte...
Ela quer respirar, ela quer amar...
Ela quer brilhar sobre essa negridão.

Não sou atriz,
Não sou cantora,
Sou poeta, sou flor, sou espinho, sou amor...
Sou compositora da minha estrada,
Estrada colorida...
Colorida de palhaços sofridos, chorões...

Eu os entendo, dou colo, dou abrigo...
Sou um deles.
Quero um circo diferente,
Minha plateia finge estar alegre.
Tudo mentira, todos estão tristes e descontentes.

Esse mundinho que fizera a dois,
Ou é de brincadeirinha
Ou pura falsidade.
Ou é burrice sem identidade.

Chuva amiga da minha alma,
Caia e me faça alegre de novo.
Caia e apague de vez esses passos errantes,
Quero beber gotas renovadas,
Quero correr com os cabelos molhados
E rir até doer a barriga.

Sol de verão, meu preferido,
Queime todas as minhas vergonhosas incertezas.
Quero-o sentir, quero ficar corada
Vendo minha pele branca e marcada
Sendo iluminada.

Quero brasa,
Ser abrasada.
Quero fogo,
Fogo de amor.
Quero indecência,
Sem demência.

Fizeram-me várias
O mundo, para mim, não basta.
Às vezes me enrolo toda,
Tola quero ser toda.


((( Camila Senna )))




Maria ninguém...
Sou uma boneca retalhada de chita,
Triste e colorida.
Não me faço de vítima,
Quando erro boto a cara, não nego.
Sou uma criatura carente com dentes...
Sou uma abandonada de pai,
Uma alma perturbada o tirou de mim,
Foi precoce a perda, como tudo na minha danada vida. 
 
Uma jovem que tem pinta de doida,
Mas é responsável com aquilo que semeou.
Uma garotinha que sonha acordada tentando fazer do amor um conto de fadas.
Tenho certeza, o amor existe!
Fadas?
- Na minha vida, só a da minhas costas, a mesma é tatuada, talvez por querer tanto ser uma. 
 
Uma poeta sem batismo
Que escreve o que lhe vem à mente...
Com palavras e alguns palavrões...
Umas inocentes, outras indecentes.
Aquela que nunca imaginou em ser poeta, que sonhava em ser bailarina e cantora. 
 
A poesia me escolheu, fui pega pela mão a andarilhar por meu passado, presente e devanear por meu futuro.
No início, poesia tímida sem muitas palavras, rimas medrosas.
Hoje, o barulho do meu mundo interno nu, sem querer saber da aprovação do mundo.
Confesso que sou explosão!...
Escrever e procurar me entender fez bem ao meu jeito,
Fez bem ao meu coração. 
 
Sou uma alegria em vida,
Mas quando deprimida, perco o ritmo, deixo cair no chão meu semblante...
Esqueço minha essência, me vejo num motim, dou de cara com a morte,
Minha casa vira uma espelunca,
A lua vira puta,
O passado, triste e errante,
Os amores, todos fracassados,
O presente, precipitado.
Fico louca por uns dias... No decorrer vou varrendo toda a rua do meu coração, recolho lixo por lixo....
Tentando deixar fluir a beleza dos sentimentos bons. 
 
Uma menina que na infância
Teve tudo para ter uma estrutura familiar...
Mas não teve!
Tive que traçar e escolher quem eu queria ser...
Tive que me reinventar para não ficar na margem de lá,
Margem dos fracassados, viciados...
Com o futuro ameaçado.
Corri do mal, chorei todo o inferno astral, passei o pão que o diabo pisou.
A única coisa boa que eu via eram as estrelas...
Quando chorosa corria para laje para chorar todas as minhas lágrimas...
Deixando as estrelas me ninar, me acalmar.

Uma mulher que não cansa de ser mulher,
Mas que entende que para ser mulher
É necessário ser forte, sagaz, intrépida.
Entende que esse mundo vagabundo é uma selva
De animais racionais gemendo por dentro, querendo seu lamento.
Entende que nem tudo é véu, flores na janela, lua-de-mel, primavera...
Muitas coisas são crueis...
Viver a dois sem sintonia,
Viver só sem melodia,
O ser humano e seus sentimentos mesquinhos,
Morrer sem ter visto de perto a cara da gostosa alegria...
Virando cinzas e nada. 
 
Derramarei então todo meu pó de poesia nas entrelinhas dos meus poemas...
E que se dane a teoria,
E que se dane a opinião dos que me detestam, não fico puta, não fico virgem, não fico nada!
Falo o que quero na hora certa ou na hora errada.
Não ganho nada, mas também não perco.
Sobrevivo nesse mundo de palhaços sofridos, onde muitas das vezes me vejo... 
 
Sou generosa, sonhadora, persistente, e quando sobra tempo, atraente.
Mãe de filhos que ergueram minha vida solo e vazia.
Uma mortal que tem horror à rotina,
Uma esquisita que se coça toda só de pensar em conversar com pessoas explicadinhas em demasia.
Uma humana cheia de defeitos, mas que não suporta hipocrisia. 
 
Regras não rimam com a minha vida.
Quando faço uma receita, nada é medido; no final, tudo sai gostoso, apetitoso.
Tenho algumas roupas que eu mesma corto e refaço.
Saio despojada, de boina, de tênis, sem pensar em nada.
Mas tem dias que a vaidade me condena, me visto como princesa...
Princesa sem eira, nem beira, sem castelo, sem cavalo, só com meu sorriso largo. 
 
Quem sou eu?
Uma imediatista que não curte saber da meteorologia e nem dos próximos dias.
Uma tatuada na vida, oito externas e várias internas (rs).
Sofro de insônia e sou viciada em café.
Adoro correr na chuva,
Sentir e receber amor...
Janeiro e fevereiro são meus meses preferidos...
Levo minha vida retalhada e colorida sem muito roteiro.
Penso que a paz é o melhor presente que alguém possui no seu âmago. Desejo-a tanto...

Quem sou eu?
Ah, só mais uma Maria ninguém para esse mundo de tantos gostos, rostos, olhares, pensamentos e tal.

((( Camila Senna )))







Moça de sorriso aberto...
 
Moça de sorriso aberto...
De sentimentos secretos...
De lágrimas cheias,
De vontade latente de encontrar intensamente...
O cenário dos sonhos, aquele, que outrora fora esquecido no inconsciente.
Mas que hoje é pólvora, queima a carne, dilacera o coração que foi costurado à mão.

Moça de sorriso aberto...
Que não desiste do simples, é forte, é guerreira.
Caminha nas ruas como se nunca houvesse sofrido ou chorado,
Talvez por isso ninguém perceba tamanha urgência.
Ela assusta, tem ar de mistério, respira o tédio sem remédio...
E ainda sorrir encantando aos que com alma sensível a sente por dentro.

Moça de sorriso aberto...
Faz do seu hall star seu cúmplice andarilhando tudo...
Do coração dos que a amam... 
Ao chão dos cachorros sujos da rua.
Do seu cordão de jade, fez seu amuleto,
Da sua boina fez seu chapéu de época,
Transcende a moda que se especula em cada esquina, em cada loja.

Moça de sorriso aberto...
Do ego ferido bordado com pano de chita...
Que ilumina sua pele branca tatuada
Exalando escancaradamente sua falsa brandura.
Mas é persistente e não dá guarita para o preto e o cinza.
O tempo pode fechar, mas seu coração é como mar aberto...
Recebe o sol dourado deixando-o impregnar todo seu interno.

Moça de sorriso aberto...
É mulher mais insiste em continuar menina...
Vive com a rima na ponta da língua...
Às vezes fica triste por não encontrar a meninice no seu dia-a-dia, na sua rotina.
Exala naturalmente toda sua feminilidade,
Ainda assim é casta e mantém a pureza no olhar sem maldade...
Ansiando brincar, conviver com o simples que muitos não enxergam e não acham atraente.

Seu prazer é o de correr na chuva...
Sentir o sol revigorando dando nova têmpera a sua alma...
Paquerar a lua ouvindo música com uma taça de vinho...
Podar suas plantas e vibrar, quando a mesma, está a desabrochar.

Tem dias que por ironia, tudo muda, deixando seu riso mudo no viaduto...
A chuva vira pedra,
O sol cega sua retina,
A lua vira puta,
As plantas, coitadas, por tanta inveja alheia da sua vivacidade e energia, murcham.



((( Camila Senna )))








Cheia...
 

Vou colocar minha dor
Estampada num jornal...
Será que você leria,
Um pedaço de mal?

Essa notícia é passageira
Noutro dia sempre acordo inteira, cheia...
Cheia de disposição
Rasgando o tédio sem autorização.

Leia a primeira notícia
Todo mundo gosta de melancolia...
O charme está nas entrelinhas.

Mas será que você leria,
Um pedaço de alegria?


((( Camila Senna )))







Será?...


A cada sol que nasce
Convenço-me mais que a felicidade está no simples.
Será que um dia reencontrarei minha felicidade?
Aquela, que outrora bonita, feliz, doce, eu era tomada.

Estou tão arredia por todos esses dias.
Quero-me cansar de brincar, não de brigar.
Quero rodar na roda gigante.
Não dos gigantes da vaidade...
Essa roda dá bolhas nos pés, queima minha carne.

Perco-me tentando entender o porquê de tantos por quês...
Era menina,
Hoje mulher.
Era sonhadora,
Hoje pecadora.

Um dia encontro meu pedaço de chão,
Sem solidão,
Sem contramão,
Sem vaidade alheia,
Sem tantos "nãos".

Quero ir embora daqui!
Mas sei quando devo ir.
Sei o básico de mim...
Sei que não é chegada a hora.

O tempo ainda não permitiu,
Mas tenho certeza, ele está a olhar-me...
Sinto, ele chegará sem demora.

Estou em chamas...
Queimando tudo que o mundo bruto fez-me sentir.
Deu curto no meu mundo florido, estou no breu...
Preciso de uma tocha para iluminar, não só meu mundo florido, mas meu coração.

Quero ver clarear cada canto escuro que com a multidão não me dei conta.
Quero paixão, quero paixão!
Como é bom sentir e arder em paixão.
Seja por qualquer coisa, mas que faça de verdade, bem, a sua alma toda.

De mim, nada mais oculto.
Mais também não desnudo tudo.
Entender?
Para quê?
Cada um tem o olhar que quer ter.
Tenha o seu.

Será que o seu é o mesmo que o meu?
Acho doido demais se for,
E se for, espera, espera, você pode ser mesmo um bom narrador.

  ((( Camila Senna )))







 Tem “tudo” que é “nada”.



Não quero "o tudo".
Talvez o tudo que acham tudo
Não é o tudo que busco.
Não é o tudo que vejo.

Se pegarem qualquer tudo,
Dando-me de mão beijada,
Fujo, pirraço, xingo...
Mas não me rendo.

Quero travessia...
Quero vasculhar o túnel
Da minha alma cheia...
Jogar fora o que não presta,
Plantar flores na minha floresta.

Rasgar o velho,
Pintar o novo,
Conquistar meu céu...
Ver estrelas cair
Se equilibrando no mar.

Não quero o tudo imaturo
Sem essência...
Tomado por um encantamento traiçoeiro,
Quero o desordeiro de alma genuína,
Sem muita rima na ponta da língua.
Com muita rima no coração,
Explodindo na boca um beijo de paixão.

Sou farta em bondade,
Meu corpo todo é extremidade,
Exalo naturalmente minha fertilidade...
Os sentimentos estragados que no meu coração,
Vagavam...
Quando alerta!... Bloqueio a entrada.
Faço pouco caso... E aos poucos, estão morrendo a míngua.


((( Camila Senna )))





Continuar...

 Meu sonho,
É o mesmo de quando criança...
Mudou o caminho,
Por sorte, entrei no alinho. 
 
Sinto falta do cheiro do antigo lar,
Do olhar do meu pai.
Da felicidade que tinha e não sabia,
Hoje sei. 
 
Sei que não existe
Família melhor ou pior...
Existem pessoas diferentes,
Mas que se amam intrinsecamente. 
 
Eu fiz o que toda criança faz:
Brincar.
Eu fui o que todo adolescente é:
Rebelde. 
 
Hoje eu faço poesia,
Rimo minha vida,
Decoro meu coração,
Me peço perdão. 
 
Entendo minha arte,
Sou chamada de "mãe".
Arrependo-me de ter dito
Poucos e longos "te amo".

Meu coração é apertadinho...
Bem no fundo do lago negro
Dos meus expressivos olhos,
Nada a tristeza, boia a solidão. 
 
Mesmo com minhas marcas...
Já decidi! Vou continuar...
Preciso continuar
Continuar a sonhar.




((( Camila Senna )))

 




Foi assim...


Onde foi que me perdi?
Será que numa neblina
Dum dia vulgar?
Ou num sol quente
Dum dia espinhoso sem mar?
Mas já resolvi:
A primeira não quero mais encontrar
Perdi minhas digitais,
Rasguei minhas roupas,
Queimei os fatos,
Tirei os sapatos,
Apaguei as pegadas. “Sumi!”
Quando me revi, foi assim:
Cheia de desígnio,
Cheia de “sim”,
Sangrando sexo
Abortando o tédio,
Estuprando o amor,
Exalando minha cocaína natural. 


  ((( Camila Senna )))






Desnuda...
 

Meus olhos são mais que castanhos,
São multicores.
Minha boca é mais que bonita,
É meu cartaz aberto ao público.
Minha pele não é só alva,
Tem marcas negras como tatuagem, eternas...
Meu corpo é mais que aparência
É meu instrumento sagrado, bendito, colocado em holocausto se for preciso.
Minhas mãos são mais que delicadas,
São fortes, capazes...
Elas escrevem o grito da minha alma.

((( Camila Senna )))







Vertiginosa...

Guerra de versos
Sementes que prezo...
Criadores que detesto,
Falo o que quero.

Falo forte,
Não sou do norte.
Sou carioca,
Com veias vertiginosas.

Não sou fácil,
Nem muito difícil...
Sou geniosa,
Sou moldável.

Uma menina...
Uma pantera no cio.
Uma mulher...
Uma fera destilando amor.

Sou de controvérsias...
Não me aplique matérias,
Tiro nota ruim.
Meu boletim é péssimo.

Só faço o que desejo.
Se me cantar a pedra,
Falar a rima,
Dominar a gíria, não me excito.

Sobrevivo de malabarismo...
Retocando o quarto,
Cheiro novo no pescoço,
Nem sempre no salto.

Meus lençóis são intrigueiros
Troco-os sempre!...
Odeio o rotineiro.
Gosto de suor, gosto de flagra.

Me enoja a mão fria
O puritanismo barato
A poeira vazia no quarto
A mesmice incorporada.

((( Camila Senna )))





Poetas...
Em cinco minutos... 
Vi o mundo.
Minha visão panorâmica filmou
Os gestos, os afetos e os incrédulos.

Era cabeça baixa
Olhando para o nada,
Eram risos vazios
Sem entender por que sorria.

Vozes que falavam de tudo,
Menos de poesia.
Essas vozes ecoavam em minha cabeça
Feito filme de terror.

Olhos, boca, nariz, membros... E tal.
Esperando o banal...
Menos poesia, para eles: "abissal".
Coxixavam: como assim, poesia?

Diziam:
"Gente doida,
Mulheres malucas,
Coisa mais brega,
Periferia de merda"!

Não é por aí não, meu semelhante...
Somos poetas!
Você não sabe, mas a poesia liberta!
Desfaz o preconceito fazendo-nos enxergar o mundo...
Para uns, "mundinho"; para nós, poetas, mundo indizível.

Mas no meio de tanta gente
Teve uma pessoa poesia
Que ao invés de torcer o nariz
Vibrou e nos deu um SALVE de alegria.
Parece nada, mais ganhamos o dia.


((( Camila Senna )))
  





Cheguei até aqui...



Ah, que tranquilo...
Estar completando
Meus vinte e cinco anos.
Tendo meu momento: "recordações"...
Lembrei-me de tudo até aqui.
Dos vestidos floridos,
Do quintal e as brincadeiras com os primos.
Ri sozinha lembrando-me do tombo de bicicleta,
Dos doces preferidos.
Morri de saudade do meu primeiro cachorro: "o Xuxo".
Da vó descascando laranja,
Do meu vô Laudy, torcedor do fluminense,
Que era tudo para mim.
Do vô Taica, que era portelense
Com raízes em Realengo,
Cheio do samba no pé.
Apertou o coração quando pensei no Juninho,
Meu tio, meu preferido, meu Down.
Diante de tantas lembranças,
Uma fez-me encher os olhos de lágrimas soltas,
Uma fez-me pulsar descompassado o coração...
Foi imaginando meu pai vendo-me completar vinte e cinco anos...
O abraço,
O sorriso nos lábios,
A satisfação de ver sua filha mais velha,
Ser gente boa,
Cheia de defeitos
Mas com princípios e preceitos.
Nasci no dia 27 de março de 1986, no Estácio de Sá, na Cidade Maravilhosa.
Hoje, no dia 27 de março de 2011, completo meus vinte e cinco anos.
Obrigada, Senhor, por ter chegado até aqui!


((( Camila Senna )))






Tudo...


...A poesia em minha vida é tudo, foi a maneira que encontrei de enlouquecer sadia, falo de mim de forma ruim, boa, gostosa...
Se eu não puder morrer, ressuscitar, rodopiar, gozar, para mim não é poesia, é prisão.
As prosas e poesias mais bonitas que tenho, foram feitas nos meus piores dias...”


((( Camila Senna )))





Prazer...
Nascida no Estácio de Sá
Ariana de março
Poeta sem berço
Casada por livre e espontânea vontade.
Mãe, por ser abençoada.
Mulher por natureza e puro ímpeto.
Sou ponto.
Sou vírgula,
Sou reticências...
Sou revoltada interrogação?
Sou loucura serena, intensa e quente exclamação!
Sou todo esse palavreado andarilhando o mundo...
Sou luz e vago no breu
Meu sorriso largo mascara a ausência, a carência...
Sou todo esse barulho dos meus versos desnudos...
Sou urgência!
Prazer...

((( Camila Senna )))





  Sou de março...
Meu mês é março
Vivo em guerra, como Marte
Guerra que não faz mal
Que predomina o bem natural.

Falo guerra contra:
Os sonhos impedidos
O preconceito
A maldade
Aos que não falam a verdade”.

Sou de áries,
Sou do signo de fogo
A espera do alvoroço na alma
Sedenta de fulgor.

Não guardo rancor,
Mais não venha-me com terror.
Sou amorosa,
Mais não venha-me apunhalar pelas costas.

Na minha esfera
O centro é o coração
Que dá razão a emoção...
Temperando minha vida.

(( (Camila Senna ))))








Toda...

Estou completa em minha poesia.
Me entrego sem pedaços, estou toda!
De tudo falo de mim.
Meu único ritual é escrever meus versos barulhentos...
Não penso no porvir, nem no fim.
Penso em mim como uma história
Que pessoas vão ler e não vão esquecer.
Nos meus versos barulhentos estão...
Toda minha inimiga insônia,
Toda minha prepotente angústia,
Toda minha vontade alegria,
Todo meu intrínseco amor.
Meu verso é singular.
Nele derramo sangue vivo, que em minha alma forte, pulsa.
Meus versos sadios e profanos...
Meus versos puros tingidos de vinho...
Que uns gostam e outros não...
Estão compostos toda minha excentricidade,
Minha maldade, minha bondade.
Espalho toda a minha queixa,
Embelezo toda minha malícia,
Rasgo a roupa,
Ando nua em tiroteio.
Me vejo num espelho.
Eles falam, me denunciam.
Entrego-me sem questionar o que vão pensar,
Escrevo-os despida de preconceitos. 

((( Camila Senna )))





Grito da minha alma...

 Desço a escada pálida, apressada...
Carregada com minha jornada
Com toda essa carga
Dou de cara com um labirinto.

Nele minhas roupas rasgadas
Espalhadas...
Começo a costurar,
A unir meus pedaços, misturado com meus traços.

Fico tentando ver se me acho
Se me sinto... Se grito,
Que silêncio de solidão,
Quero ouvir a melodia, que me deixa em harmonia.

Que caia do teto essa tarde chuvosa...
Mesquinha,
Fria,
Mal-amada, que assolou meus dias.

Fico em desatino
Rasgo a pele
Cuspo em vermes
Me atiro no chão.

Quero solução...
Não quero razão.
Quero provisão...
Não quero suposição.

Vou correr mato a dentro
Desmantando meus sentimentos
Procurando o vilão
Quero encarar, quero-me aprofundar.

 A história que pregaram-me a peça,
É minha...
Eu sou a atriz. Dona do meu nariz.
Não aceito teatro mal ensaiado.
 
Quero compromisso com minhas raízes
Se tiver que libertá-las,
Uso meu instrumento sagrado,
Minhas mãos.

((( Camila Senna )))




Fogo...


Minha brasa não incendeia nessa fogueira,
Fogueira da vaidade,
Fogueira do rancor,
Fogueira da inveja.

Meu fogo é outro,
É o fogo do amor,
Fogo do perdão,
Fogo da paixão.

Vaidade de alma é cocaína!
Rancor acumulado, veneno de rato!
Inveja desmedida é putaria!
Ser geniosa, e ter dentro de si o fogo abrasador, que se chama “amor”.
É inefável.


((( Camila Senna )))





Flor de cravo...


Meus pés alvos tenho-os banhado com unguento
Para tirar todo o odor da inveja e da peleja.
As velas que velam contra mim,
Que o vento forte as apague, desviando-as de mim.

Quando eu olhar para a vida
Que meus olhos sejam margaridas.
Plantando flores e colhendo amores.
Traçando o gozo íntimo inefável.

Minha boca é rubra de seda
Cuja língua é gentileza mas sabe ser fel com grandeza.
Rejeito todo o olhar envenenado de fúria.

Estou a caminho dum regaço, me faço flor de cravo.
E toda boca, todo olhar, toda mente, que tenha por mim afronta.
Fique muda, fique cego, e perca a memória.

((( Camila Senna )))







Eu encaro...

Eu mudo!...
Giro em volta do meu mundo
Faço barulho
Sacudo a poeira.

Eu fico!...
Invento em mim, a "libido”...
Vago sozinha
Enfrento a tirania.

Eu gosto!...
De dar minhas gargalhadas
Dançar um som psicodélico
Sol e mar o ano inteiro.

Eu detesto!...
Pessoas frias e calculistas,
Dedos apontados e tortos
Mentira na rotina.

Eu vou!...
Ser sempre uma menina
Ser sempre calorosa
Ser sempre amorosa.

Não quero,
Ser muito impetuosa
Ser muito ingênua
Ser muito geniosa.

Quero ser dosada como uma bebida quente e forte!
E seguir...
Sempre ousada
Sempre Mãe, Sempre mulher!

((( Camila Senna )))




Garçom!...
Garçom, por favor! Uma cerveja.
Um isqueiro também... Esqueci do meu!
Ei, não me olha assim,
Olhe para dentro de si.
Não perca seu tempo recriminando-me,
Gastando seu dedo torto sobre mim.
Não se preocupe comigo, meu bem!
O veneno que mata,
Que apaga a alma,
Não faço uso!
Garçom, por favor! Mais uma cerveja!
Traga o isqueiro de novo,
Quero fumar mais um cigarro!

((( Camila Senna )))




Tapete carmesim...

A dolência do passado não deixo-me entorpecer...
Que os laços errados apodreçam e venha o alvorecer.
Que as palavras torpes por si só, retornem aos lábios de nó.
Meu nome: “ousadia”, a mesma, os frios sem coragem tem medo de conhecer.

Faço da minha estrada cinzenta, tapete carmesim,
Sei que a poeira de outrora é grudenta, eu insisto e ponho fim!
Fim no velho jardim, cuja as flores, margaridas...
Morrem secas sem colibris.

Pele alva, olhos tristes, alma forte...
Sedenta de rios, cujo o nome: carinho.
Abomino a frieza, aquela, que não tem beleza e nem põe mesa.

A indiferença dos orgulhosos no penhasco,
Já não queima-me a carne,
Ofereço então meu regaço, misturado com meu canto, para seu pobre pranto.


((( Camila Senna )))






Livre...

Meu corpo tem andado por histórias mal resolvidas.
Penso - Que corrida que eu dei até chegar aqui... Ufa!
Tem pisado em casebres assombrados...
Tem trilhado o que seria um achado, que é o amor. 
 
Me sinto gigante diante de tudo que vivi.
Posso dizer que sobrevivi.
Sofri, mas aprendi.
Dei uma volta nas tempestades.
Passei a perna na hereditariedade.

Hoje estou aqui!
Livre e dona de mim.
Livre no pensar,
Livre no agir,
Livre, livre e livre.

As cordas que me amarravam feito boneca de teatro...
Soltaram-se por si só,
Libertaram-se de mim, e eu delas.
Me liberaram para outra melhor, e eu a elas.
Quando me dá na telha,
Pego o papel branco e sobre ele refaço minhas trilhas.
Invento minhas ilhas...
Desfilo por minhas passarelas...
Corro sobre minhas avenidas,
Pinto minhas aquarelas.


((( Camila Senna ))))






Vendaval...



Você não ouve
Nem sabe por quê?
Sua vida só vive,
Porque tem que viver.

Morrer é festa
Viver é suplício.
Não faz o que prega
Nem sabe se vive.

É tudo uma peça
Sem ensaio real
O tempo embaralha,
Te deixa abissal.

Esse é o estágio
Que chegou seu carnaval.
Pior... você não crê,
Que isso tudo é vendaval.


((( Camila Senna )))





 Mérito do bem...
O jogo foi desfeito!
A soberba caiu na inglória.
A palavra torpe retornou às origens...
A calúnia pediu perdão.
A poeira foi sacudida!
O vinil arranhado, jogado ao leu.
A estação velha, de pé, renovada!
A história? - Refeita... E com uma linda trajetória!
Cheia de lutas e penhascos, mas no final, o mérito da vitória!


(((Camila Senna)))





Vi...

Senti o medo de não ser
Senti na pele o frio de perder.
Vi vidas se esvaírem
Senti a fúria do por vir.

Vi sonhos serem desfeitos.
Senti no peito a repugnante dor da morte.
Vi meus pés ousados desistirem do norte.
Senti o amor batendo em mim, virando a esquina sem se despedir.

Vi olhos sedentos brilharem.
Senti a dor mais gostosa que existe: “que é a de parir”.
Senti toda a força que em mim arde.
Senti do mal, degustei do bem, achei horrível a tristeza e pulei de alegria quando a mesma lembrou-se de mim!


((( Camila Senna )))




Sacerdotisa...

A humilhação é insistente e desde sempre me atormenta.
Mas sou dura na queda!...
Não permito-me ser submissa...
Não me faço de vítima, sou indomável!

A vida me apresentou pessoas vaidosas
Pessoas orgulhosas, cheias de si.
Tentando fazer a todo instante, com que eu me achasse sem valia...
Pessoas teóricas e frias. - eu sou mulher de prática, de emoção, de fantasia!

Não aceito humilhação. Embora algumas vezes,
A mesma me confronte, me encare, me desafie!
Mas não sou fraca, sou idealista.
Sou Minha Alquimista.

Em dias insípidos, busco o agridoce.
Em dias cortantes, faço-me flexível.
Em dias frios, visto-me de sol.
Em dias sem paixão, não adianta, perco o ímpeto!

Entro em crise na esfera coração!
Busco sinceridade e dou de cara com a soberba.
Sou feliz um dia. E os outros não!
Tenho tudo! Mas não tenho nada!

Será que a vida para mim já basta!
Que mistério é esse?
Indago...
Quero colher o fruto, mas ele nunca está maduro.

Está tudo errado!
O meu passado...
O meu presente.
O futuro não se mostra, quero apenas uma simplória resposta.

Sei que tenho a marca,
Sei que tenho o dom,
Sei que sou sacerdotisa,
Mas estão brincando de pique esconde comigo!

Sou de carne e osso, à espera do alvoroço.
Sou de sangue e vida, à espera da quimera.
Sagrada e desejada é a paz para mim!...
Tenho-a tatuado em meu corpo, ela sim! Deixo-me possuir!


((( Camila Senna )))



Sina...
Trago o meu fumo, e observo atenta...
O desenho da fumaça que se forma.
Esclarecida para muitas coisas,
Porém, em outras, enigmática.

O suicídio de outrem,
Para mim é vida.
A cólera maldita,
Para mim é opção e não castigo.

Sigo Traçando traços fortes...
Pois sou assim, e serei até a morte!
O que não importa para o ocupado de alma,
Para mim, é intrínseco, é sagrado!

O que para os conformistas sem tesão, é um fardo...
Para mim é sina!
Sina que se pode moldar até o fim da estrada de minha menina.

((( Camila Senna )))





 Que assim  seja...
Que o meu respirar livremente,
ninguém o tente sufocar.
Que o meu olhar forte para o mundo,
não o tentem findar.
Que o meu falar sem ensaiar,
ninguém o tente calar.
Que o meu sentir aguçado e sensível,
não o tentem enganar.
Que a auto-estima que eu conquistei,
ninguém a tente baixar.
Que a amizade sincera que tenho,
não a tentem comprar.
Que o meu agir impetuosamente,
ninguém o tente oprimir.
Que a alma desnuda que tenho
não a queiram vestir,
vesti-la de sujidade, fazendo ocultar
a nobreza em mim.
Que a liberdade que anseio a cada dia,
ninguém a tente impedir...
colocando espinhos nos meus caminhos...
e amarra nas minhas pernas.
Ainda que consigam, será por pouco tempo,
pois sempre haverá uma senda.
Que a paz que eu busco,
não ousem invadir.
Que a alegria que possuo,
ninguém a tente abater.
Que o amor que habita em mim,
sempre venha existir
se renovando a cada
alvorecer. 

(((Camila Senna)))



Gosto de ser eu...

Não tenho inveja de pessoas caladas demais,
Não me intriga o ar concentrado e ponderado demais.
Não desejo o seu eixo, gosto do meu!
Mais ainda... Gosto da minha essência.

Não sei ser calada,
Não sei olhar vazio,
Não sei chorar baixinho,
Não sei sorrir sem motivo.

Quando falo, falo com verdade.
Quando olho, olho com vontade.
Quando choro, choro um rio de água salgada!
Quando sorrio, é porque estou feliz e cheia de brio.


((( Camila Senna )))





Nova têmpera...

 
Estando no cume da vaidade...
O meu eu de verdade me fez parar e notar,
Notar que tinha algo estranho em meu âmago.
Deparei-me com defeitos que estavam querendo se instalar...

Fiz silêncio e pensei: não quero esse vício! 
 
O vício da palavra maldita...
O vício do olhar mal-interpretado...
O vício da atitude impetuosa.
Que muita das vezes não me traz boa memória.

Tento a cada dia evoluir sem esquecer o que quero de mim!
A atitude de parir a liberdade para a minha própria alma...
Só depende de mim!
Então, melhor esquecer...

Se pensa que vou ser igual a você!
Não mesmo...
Quero retemperar-me para meu próprio gozo...
Cada um sente melhor o seu próprio sufoco.


((( Camila Senna )))





A escolha foi minha...



A meiguice em mim é enrustida...
Só a revelo aos que com jeitinho,
Saibam receber com carinho...
Não é a qualquer pessoa que ilumino com meu sorriso.

Meu sorriso nada discreto é para os sinceros,
Aos hipócritas que pela minha vida já passaram...
Se um dia necessitar, dou minha mão, e se souber conquistar...
Um sorriso meu possa ganhar, ainda que silencioso.

Eu nasci para vergonha dos indecisos,
Os mesmos que vivem a bailar a mesma melodia,
Fazendo do pão podre de cada dia,
Seu ritual! Seu carnaval!

Se tiver que gritar, eu grito!
Por favor, não me peça para calar...
O que meu coração anseia gritar!
Revelo-me quem sou todos os dias, essa é minha única rotina.

Deus me deu o coração para sentir,
Deus me deu a voz para exprimir,
Deus me deu o livre arbítrio,
Foi para escolher, se quero ser eu, ou você!

Escolhi ser eu, cheia de defeitos...
Mas com o coração que cabe todo esse mundão!
Escolhi ser eu, impetuosa...
Mas cheia de emoção!


((( Camila Senna )))






Essência em mutação... 


Estou como lagarta virando borboleta, em plena metamorfose.
Bebendo vinho com doses de ousadia...
Comendo do pão da intrepidez...
Configurando minha vida e dando forma as minhas roupas.

Roupas vívidas e otimistas!
Alinhando meus passos, desenhando
e colorindo os meus sonhos.
Buscando ser inteira, sem sombra, sem mácula.

Ser a história lida e bem resolvida.
Ser avenida movimentada, não gosto de ruas paradas!
Ser o curso concluído no meu currículo.
Fazer do meu corpo instrumento vivo, ativo...

Produzindo música...
Música essa, que me levará às portas da promessa.
Ser o presente bendito sem envolto algum, recebido com prazer, com gozo.

Gozo esse, que trará a cada dia, 
felicidade para minha existência,
em ligação direta com meu coração,
sem indagação!

Horas poeta, horas artista.
Idealista, é o que eu sou!
Sigo na pista em busca da conquista...
Conquista da superação.
Superação do velho, do novo.
Do que está por vir sem rejeição!

Na aquarela do meu viver, pintar meus sonhos.
Na cidadela da minha alma, ser estrela sem limite de duração.
Ser água de dia, límpida, branda e fresquinha...
E que venha o fogo de noite, acender meus desejos e repor minhas energias.


((( Camila Senna)))





 Tenho que ir... 
 

Tenho que ir...
Seguir meu destino.
Dá de cara com a minha vida...
Me confrontar com minhas dúvidas.

Caminho pelas ruas de volta para casa...
Passo pela praça, e não vejo nada!
Nem pó de poeira, nem criança sorrindo...
Nem folha seca, soprada pelo vento... Nada!

Ao lado, o trem passa...
O pássaro, sem graça, se esconde.
As árvores secas com a imagem vazia!
Mostram minha realidade, que nostalgia.

É tempo de unir meus retalhos espalhados no chão.
Espalhados no colchão...
Espalhados nas neblinas...
Espalhados no verão...

Espalhados nas ruas do meu coração, 
Que está alagado!
Com meus sentimentos boiando na contramão,
Pedindo esmolas nas esquinas, e recebendo não!

É tempo de me fazer rir, não posso ficar na mesma de sempre...
Querendo o mesmo de sempre!
Se para sempre, um dia acaba!
Pois nem tudo que acreditamos para sempre ser, é eterno!

Quero travessia,
Atravessar a ponte dos desesperados,
Quem passa por essa ponte vê a morte, mas não morre!
Encontra-se com sua vida, com suas feridas, todas elas cicatrizadas.

Mente, metade sadia, e a outra metade insana...
Corpo, metade bendito, metade louco varrido...
Saúde, sem cólera, mas não totalmente imune, quero ser curada vez em quando, pelo veneno bom do “amor”.

Depois da torturante travessia, estar preparada!
Preparada sim!
Para as ventanias e as ressacas do mar da vida.
Não posso viver a pegar aquela flor.

A flor que um dia viva e linda, guardei...
Ela secou no meu diário...  Consigo, guardou...
Todos os segredos que um dia escutou...
Eles foram revelados ao Sol, à Lua e as Estrelas.



((( Camila Senna )))





Não quero morrer em vida...


Me estranho facilmente com a bendita morte.
Morte da essência que envolve o âmago.
Morte do fundo musical dos sentidos.
Não sou impenetrável, até queria ser...
 
Só assim, as coisas que não admiro, não passariam por mim.
Queria ser uma esfinge, veloz, sagaz...
Sugar o néctar da vida e ser imortal, ser real.
Sei que é só devaneio, mas do que vale a vida se não pudermos devanear? 
 
No desalinho da minha mente, me alinho...
Na esperança de viver saborosamente, pretensão?
Não, fantasia!
Ai se não fosse ela a me aplicar anestesia...

Anestesia da arte, arteira que sou, não me conformo oconformismo.
Por vezes me vejo num motim, querendo a desordem.
Desafiando os que dormem, dormem o sono da ruindade.

Desafiando os que não sentem dor, a dor da saudade.
Desafiando os que não amam o amor, o amor e sua plenitude.
Desafiando os que não pedem receita, por que são frios e vivem fingindo ser sadios.

Desafiando os que não sabem chorar, por terem medo de se declarar, de se libertar.
Desafiando os que tem medo de amar, que não amam por covardia...

Mas que bobagem, amar é um risco que só quem corre são os intrépidos, é o frio mais gostoso que minha barriga já sentiu.
Será que minha visão é platônica?
Eu responderia que sim! 
 
Os olhos da minha alma chamam-se utopia, é aonde minha vida vira poesia seja na tristeza ou na alegria.
Quero viver todos os sonhos que já não cabem dentro de mim, loucura ou realidade? - Os dois, minha louca realidade.

Não quero ser sã de verdade, quero apenas existir de verdade.
Faço questão que a frustração tenha ódio de mim.
Fazendo a desesperança implorar não passar por mim.
Quero viver o fim da guerra, a guerra dos sonhos impedidos.

Quero o diploma de que eu estive aqui, de que eu existi!
Vivi... Aprendi...
E apesar dos pesares, fui feliz.
Não por vaidade, mas por realização, por tesão.
Tesão na alma, sem mais explicação!

(((Camila Senna)))






Sacudindo o teatro em mim...


Hoje a felicidade me arrastou para o palco da liberdade.
Eu estava de vestido floral, com cores laranja e amarelo.
Levantei a barra do meu vestido e me liberei, me sacudi, rodopiei.
Era tanta a euforia, que ao rodopiar eu não sabia, se era o vestido
que me cobria, ou os colibris da fantasia.
Meu rosto estava suado, minhas bochechas estavam vermelhas...
E o meu corpo? Estava quente e minha alma flutuante.
Tirei o peso das minhas pernas e pés, eles ficaram espertos e ligeiros.
O palco estremecia, mas não caia.
Ainda que caísse, eu ia continuar dançando...
Pois a alegria era tanta, que nada me abalaria.

A preguiça? Mandei embora.
A rotina? Dei férias.
A vergonha? Demiti!
Tomei posse da minha autonomia.

Deixei fluir sem preceito a menina que não se cansa de mim.
Que vive a me rodear, sempre me convidando para bailar.
Que pula, que grita, que ri, que é feliz!



((( Camila Senna )))






Preciso sair....

 
Eu já não caibo mais nessa casa.
Tudo gigantesco ficou...
Meu corpo.
Minhas roupas.
Meus sonhos.
Minha alma está grande em demasia, para um lugar tão pequeno.
Já não tem saída certa...
O relógio me oprime, perguntando: quando sairá daí?
Digo: irei sair em breve, porque preciso existir.
Existir para mim, e para o mundo em si.


(((Camila Senna)))






Não tente me colocar amarras...


foto por Camila Senna

Eu sempre quis estar nesse lugar...
Lugar que só eu sei a cor, o cheiro e o visual.
Com toda minha impetuosidade...
Ouvindo o som do mar a cantar e me entregar...
Sem se quer para trás olhar.
Respirar me sentindo leve como um pássaro.
Viva e linda como uma flor.
Ainda que o lugar pareça de mentira.
Eu construo ele dentro de mim com a minha verdade.
Sem tão pouco me importar com as suas mentiras...
Que não me levam a lugar nenhum.
Transporto esse lugar para dentro do meu ser...
Elevando minha alma, me deixando transfundir.
Querendo e gritando com todas as minhas vísceras...
Desejando todos os dias que ele faça morada em mim.

"Tenho garras de águia
Não tente me colocar amarras
Não preciso de máscaras para me mover..."

Faço da trilha obscura, noite de fantasia.
Com vagalumes me iluminado...
Com a mãe natureza me guardando...
Dizendo:"vai filha, essa é sua morada".
Você sonhou, acreditou e atraiu...
Agora ela existe, se tornou real.
O que eu aspirei não é mais fictício
Pois enquanto correr sangue em minhas veias,
Ei de proclamar o que eu sonhar.
Meus pés são saudáveis...
Mas as minhas asas são velozes...
E conseguem entender rápido...
O que se passa no ímpeto do meu ser.
A vontade de ser audaz é estupenda
Me faz forte... Me faz feroz...
A ponto de lutar pelo que eu acredito, que eu posso ser e possuir.

Quanto as minhas asas? Ah, elas vão morrer comigo!


(((Camila Senna)))






Bebo vinho sim, só se for o da verdade... 

 

Comes e bebes?
Só com quem eu amo.
Com que finalidade eu devo me sentar a mesa com pessoas
destilando gentilezas?
Se na verdade só tem é falsidade.
Não me peça para ensaiar essa peça!
Eu não aguentaria tamanha inverdade.
Beber do vinho da discórdia.
Sorrir, com seu melhor sorriso tirado do seu Oásis, para
quem só sabe bramar o seu regredir?
Estão cheios de cólera mas não podem se assumir.
Precisam fazer tipo! Andar mascarados, achando que é
carnaval o ano inteiro.
É mais seguro, é mais preciso!
Eu sento à mesa, sim, de quem me quer bem!
Com as pessoas com as quais eu possa ser natural...
Falar com minhas palavras, olhar com meu olhar...
Sentir-me um peixe dentro d’água...
Sem me preocupar se a mesma está quente, norma ou
gelada, quero me sentir é em casa.
Não me peça, para ensaiar essa peça!

(((Camila Senna)))







O protesto foi o tempo...

Disseram que ia ser desgraça, virou graça.
Caluniaram dizendo ser desonra, virou honra.
Negaram vinho a quem só queria beber um cálice, que mesquinho.
Tiveram presunção, que vaidade.
Falaram com soberba, dizendo não ter consideração, que papelão.
Olharam com superioridade, que rivalidade.
Fingiu-se ter compostura, era tudo embuste.
Vangloriou-se dizendo ser perfeito, mas que mania, não conheço um, a começar por mim. É tudo inópia!
O tempo, as circunstâncias, mudam opiniões...
Ainda que, isso não aconteça declaradamente,
fica-se no fundo da alma do julgador, a amargura!
Na consciência, fica-se o remorso.

E na vida? Fica-se a bofetada bem dada de quem foi julgado, não com as próprias mãos...
Mas com a vida ao contrário do que disseram que ela ia ser vivida!
Sem perfeição, aliás, pra que a pretensão?


(((Camila Senna)))







 Viver o hoje e acreditar no amanhã...


O amanhã não é nosso...
O poder da vida está nas mãos de Deus.
O relógio corre tão de pressa...
E com ele se vai nossa juventude exterior.
Aquele corpo não é mas o mesmo...
A voz que era viva, que era forte,
Enobrece, fica branda, fica sábia.
Os olhos que antes eram belos e erguidos,
Ficam caídos, ficam vividos.
O tempo nos deixa marcas...
De cada lugar...
De cada cheiro...
De cada amor...
De cada sabor...
De cada tristeza...
De cada alegria...
De cada filho...
De cada projeto sonhado, suado e conquistado.
Sabendo que o exterior acaba...
E o interior fica...
Ainda que cansado, ele renasce...
Rebrotando as flores que um dia secaram e caíram...
Isso dignifica nossas almas e nos fazem diferentes.
Fazer planos, sim, porque não?
Mas com a realidade de sermos mortais.
Estando certo de que os velhinhos...
Que vemos hoje nas ruas,
Amanhã, quem sabe? Podemos ser nós!
Já que o amanhã não é nosso...
O poder da vida não está em nossas mãos,
E com o tempo nossa juventude exterior vai se esvaindo,
Vamos nos orgulhar do hoje, e viver o agora!
Vamos cuidar do nosso interior que é eterno.
Vamos ter vontade de viver...
Mesmo sem prever se o amanhã chegará...
Vamos ter fé que ele vai chegar!
Vamos ser nobres com os mais velhos...
Vamos viver com a alma desnuda.
Tendo a certeza...
Talvez, a mais certa desta vida...
Que a beleza maior e mais valiosa,
É a que vem de dentro para fora...
Exalando a verdade e o amor.


 (((Camila Senna)))







O coração tem que sentir...


Quando se propuser a fazer algo para alguém,
Faça de coração...
Puro, sincero e verdadeiro.
Se isso não acontecer, de nada valeu!
Só serviu para sua boca falar...
Aquilo que seu coração não sentiu.

  
 (((Camila Senna)))





Viver assim eu não quero...

Agora veja,
se tem como viver nesse pobreza,
pobreza de espírito
de um ser desunido. 
Ser covarde e viver 
na tempestade
e mal poder
falar a verdade.

Ser comodista
em um mundo
de golpistas que
só querem a maldade.

Ser brasileiro
sem qualquer dignidade,
sem valor da humanidade,
que só quer ganhar vantagem.

Ser falso e dançar
conforme a música,
a música da mentira
desse povo embaraçado...

Que vive a vida 
no interesse se passando 
por bonzinho,
se fingindo bom vizinho.

Ser vaselina e não ter 
nem mesmo a rima 
de opinar o que não desce,
o que engorda e emagrece.

Ser invejoso
e cobiçar o do vizinho
porque o dele é bonitinho
e o seu é engraçadinho.

Ser Coca-Cola
e viver só na pressão,
sem querer dar o seu gás
pra ganhar seu um milhão.

Ter preconceito
nesse mundo colorido
de pessoas de todos os tipos
que só querem o carnaval.

Ser puxa-saco
dos otários que se acham
e não tem nada no saco
pra fazer e acontecer.

Ser pessimista, não acreditar na sorte,
conformar-se com a descida
e crer que a vida está perdida.
Acaba não tendo a paz prometida.

Ganancioso, querendo sempre
mais que os outros,
se amanhã o que se tem
pode desaparecer.

Ser egoísta
e querer só para si
o que Deus
mandou dividir.

Pessoa fria
que vive em nostalgia
de uma vida calculista,
sem dar ou receber.

Viver assim, eu não quero!

Quero ser sincera, doa a quem doer.
Se eu não gosto, não preciso conviver
sem meio-termo pra poder aparecer...
Ser aprendiz e viver sem cicatriz.


(((Camila Senna)))







Eles são incríveis


Especiais eles são, dotados de pureza e sinceridade.
Olhar triste, pidão, carente...
Esperando no entanto só um “oi”.
Um sorriso...
Abraço? Ah, isso é o que eles mais gostam...
São carinhosos e desinteressados de coisas materiais.
O que eles curtem mesmo, é serem notados.
O que eles necessitam mesmo, é de afagos, atenção e respeito.
Se por um acaso da vida...
Encontrares com algum desses anjos...
Olhem os com apreço.
Se caso conheceres um não o despreze.
Ele sentirá através do seu olhar...
Porque são sensíveis e percebem quando não gostam deles.
Feliz é aquele que tem amor de um down é algo inexplicável.
Eles são incríveis, são verdadeiros...
Quando gostam, gostam mesmo!
Ao invés de excluir é dever nosso incluir.
Eles não são diferentes de outras crianças...
Muito pelo contrário, são crianças especiais.
Em que o “Pai” e a “Mãe” lutam pela igualdade social...
Pela inclusão, almejando ver seus anjos especiais galgando
e olhando para o mesmo horizonte que qualquer outra criança que a  sociedade “julga” ser normal.

Eu tive o amor de um down, e você?


(((Camila Senna)))







É tanta gente... 

Pessoas iracundas
Nesse mundo tão pequeno
De espíritos infecundos,
Que vivem a vida moribunda.

É tanta mágoa
Que só leva ao obscuro,
Bate a cara contra o muro
Caminhando para o impuro.

É tanto caso e descaso
Que te leva ao atraso,
Empatando tua vida te
Levando para o penhasco.

É tanto o murmurar
Com o muito que se tem,
Que o mendigo que não tem
Vai à forra com pão duro.

É tanta gente que
Diz ser descente,
E é tudo aparente,
Elas são é saliente.

É tanta gente que
Diz ter finura,
E não tem nem compostura,
Vivem a vida na frescura.


É tanta gente... 



(((Camila Senna)))








Não quero ser figurante...

Já errei, sim, mas quem não erra?
Me dou quantas chances eu quiser...
Estou sempre me permitindo aprender, a crescer.
Não vou me julgar e condenar porque você acha feio.
Porque se incomoda com meu jeito.
O mundo é mesmo assim!
Há pessoas, que como eu, são assumidamente erradas, mas quem é certo?
Impetuosa, mas quem é santo?
Ousada, ah... isso é para poucas!
Se você se conforma com qualquer história, e qualquer desfecho, é uma pena!
Eu, mulher persistente que vive ousadamente...
Não vou, e não quero, ser figurante da minha própria vida.
Quero ser a atriz principal, quero conhecer o meu roteiro...
Estar por dentro do sim e do não, mas com os pés no chão.
Eu não me resumo só no exterior...
O meu interior é maior que muitas coisas sem valor.
Eu quero viver assim...
Errando, aprendendo, errando de novo...
E persistentemente aprendendo e acertando.

(((Camila Senna)))





Delírio real...


Anda saindo pássaros da minha cabeça.
Será que estou louca?
Certa demais eu sei que não sou, mas pássaros?
Eles me convidam para voar com eles.
Fico meio acanhada, mas logo fico desavergonhada.
E nesse desatino, me sinto pequenina por fora
e coração gigante por dentro.
A aurora que antes era só devaneio, ilumina meus olhos
lubrificando minhas lentes.
E os pássaros do bem, me indicam o destino.
A vida que mora em mim, de ávida que é, ousa logo pousar sem freios para o leste.


((( Camila Senna )))








É só uma idéia...


Existem três caminhos a serem trilhados...
Que depois de decidido, fica difícil apagar as pegadas que foram registradas no solo.
O primeiro é aquele que a verdade vai falar mais que sua língua...
E quando tocar aquela música linda aos olhos dos normais, você vai ter a coragem de dizer: "não gosto desse som, ele é careta".
O segundo é aquele que sua casa vai viver cheia, os sorrisos serão para todos, até mesmo para aqueles que você detesta.
Haverá também frases feitas e abraços ensaiados.
O terceiro é aquele que vão colocar o cigarro na sua boca e você, por sua vez, vai fumar, mas não vai tragar.
Dez irão dizer que sim...
E os outros dez irão dizer que não....
E você viverá por longos anos, talvez até a sua morte, não sabendo se era sim ou não!

Complexo não? Mas ainda assim eu prefiro o primeiro caminho.
Não importa se os meus passos ficarão registrados no solo, que fiquem!
Fiquem agarrados.


((( Camila Senna )))





Não é preciso muito...


Em um mundo de tantos casos e descasos
De tantas sujeiras e imundos
Restam ainda os puros, os puros de alma.
Nos enganamos muito com a carcaça, ela cheira bem, ela engana.
O sorriso é amigo, as palavras são doces e o olhar afetuoso.
Mas acredito piamente que ainda existam pessoas de verdade...
Pessoas que são nobre por dentro e por fora, mesmo com tanta maldade.
Mas temos que tomar cuidado!
Tem pessoas que passam por nossas vidas...
Que nos beijam no rosto
Nos abraçam
São corteses.

"Mas é tudo cilada....
Esperam a janela aberta para nos passarem a perna".

Não sou incrédula e estou longe de ser, mas estou ficando esperta.
O maior patrimônio que temos é nossa vida
Não podemos deixar que qualquer um bagunce a casa do nosso coração.
Casa que arrumamos, perfumamos, ornamentamos e deixamos
cheia de vida.
A crueldade mora nos corações dos desesperados.
Ela não vem com cara e nem identidade.
É preciso doses de sensibilidade para pressentir, para ouvir.
Tem pessoas que tem inveja até da nossa energia...
Pois não é preciso ser rico para causar inveja,
Só é preciso ter alegria
Alegria de Viver.

((( Camila Senna)))
 





Falta tudo, menos veneno...


Debaixo do sol
Bem de baixo do sol
Vejo filha segurando a mão...
A mão de sua mãe.

Vejo neta segurando o braço
O braço de sua avó.
Que um dia, assim como todos, 
Também retornará ao pó.

Vejo poças profundas e secas de um futuro alagado
De tanta lágrima ameaçada
Por causa da soberba.
Mas que coitada, não leva à nada.

No começo da rua me deparo com um menino
Pedindo umas...
Umas moedas, para dar pra sua tia...
Que não come a sete dias.

Logo no meio, no meio do caminho...
Me deparo com a moça, que com aparência boa...
E seus trinta anos inteiros ao invés de procurar emprego,
Me coloca na parede e me pede um dinheiro.
Tal como se eu fosse banqueiro.

Mas logo no final, no final do daquela rua...
Vejo cena de manchete, uma mãe com seu bebê...
Cheirando cola e pedindo esmola.
Deixando seu filho a mercê.

Mas que irritação!
Fico eu indignada com tanta pobreza
Com tanta falta de compreensão, desse País do futebol...
Que não ganhamos nem terçol, que dirá o anzol.

Olho pro céu e suplico: "oh meu Deus"!
Que trajetória oprimida.
E como sempre comovida fico eu.
A se eu pudesse, se o meu dinheiro desse...
E se talvez eles quisessem, como seria diferente, realmente diferente.

Vejo carros passarem apreçados...
Não esperam nem o sinal verde abrir, para sumir.
Mas que banal! É esse o estágio que chegou o ser humano
Mata um atropelado e ainda foge pelo cano.

E ninguém viu, e ninguém vê....
Cambada de medrosos.
E a cultura que implora ser cultura
Querendo toda essa mistura
Fica só na moldura.
Mas tem que mudar!
Em espírito fico eu, rezo logo um Pai Nosso
Para dar-nos a bravura, pois essa vida é uma loucura.
Mas o que é normal?

Trabalhador seguindo o rumo de sua casa
Desce escada, sobe rua, pega ônibus....
Comuns? Que nada, são todos Hércules do cotidiano.
E chegam em casa, dão de cara com o William e a Fátima
E se deparam com a notícia:
"Da miséria
Da polícia
Da infâmia
Da milícia dessa terra....
Mas que inércia, pois fica só na memória
Na memória fica, as coisas mal resolvida".



((( Camila Senna ))))






O negro de valor...
O sorriso que ilumina a paz...
Que também diz que é audaz...
O sorriso... 
Que tanta inglória traz...
Mas busca ser nobre demais...

Reluz sobre o cobre, o ouro que é.
O olhar sempre em busca da chama...
Que inflama...
Que proclama.

A atitude sempre em busca de cartazes...
Querendo parir...
Parir as glórias da vida e assim reluzir...
Trazendo a importância da magnitude que é a democracia...

Sem hipocrisia...
Sem desarmonia...
Sem covardia...
Mas com muita fé, coragem e ousadia...

Trazendo na bagagem toda a história das feridas...
Com muitas lutas vencidas!
Muros pintados de cores fortes...
Unidas contra a morte...
A morte dos sonhos... A morte da vida...

A morte da terra e suas avenidas.
O fim da tortura e do sangue...
Sangue de vítimas inocentes...
Que só queriam igualdade com muita dignidade.

Eram os sofredores...
Hoje são os vencedores.
Eram os escravos...
Hoje são os escritores.

Que escrevem suas vidas...
Trilhando a terra prometida...
De cada sonho...
Escrevem seus roteiros sem dor...
Sem cor... Com muito louvor!

Roupas brancas e adornadas com seus guias...
Com suas crenças e suas diferenças.
Olhar esperançoso e sedento...
Sem querer se quer, o lamento!

Mas retidão.
Mas provisão.
Almejando a pluralidade 
Dessa terra colorida.

Tem a cara do Brasil... Tem os cantos de abril.
O negro... O íntegro negro.
Cuja correntes arrebentaram 
E um novo destino, traçaram!

Anseia sociedade absoluta
Com sua conduta na luta...
Sempre na labuta de verem as coisas evoluírem...
De verem as coisas progredirem.

Nossa cultura vem do negro meu irmão...
Nossa terra é herança do negro meu irmão...
Foram eles que nos motivaram:

A terem força... A terem garra...
A terem esperança...
Em dias de guerra...
Em dias lança!

(oração)
Dai-nos ainda nos dias de hoje, oh SENHOR!
Sabedoria para as cabeças pensantes,
Mas que só pensam em dinheiro,
Em riqueza...
Em nobreza...
Pensando que a tal nobreza...
Se encontra no ter, no poder...
Envolvido pelos brancos, brancos de cor...
Que muitas das vezes não tem valor.
Porque para ser de valor, oh meu SENHOR, independe de cor...
Credo...
Sangue...
Depende é do interior.
Da atitude
Da coragem...
Que os negros descriminados, que são até hoje, tiveram...
Mas eles são audazes e jamais perderão a majestade.


... A nobreza de verdade vem do pó, pó da terra, que foi erguido o castelo, castelo de guerra, guerra contra o preconceito e suas raízes obscuras...”


((( Camila Senna )))





Isso nunca...


Vê se você enxerga meus pés alvos nas poças das ruas em dias de chuva gelada...
Parece que não quer saber de nada, só mesmo do seu nariz.
Agora eu já aprendi a lidar com você, fico na minha.
Por sua vez, você fica na sua...
Então eu sigo dando os passos mais largos que consigo, indo além...
Caso eu não veja o buraco e caia, não se preocupe comigo, meu bem, eu me viro do avesso, mas não me rendo.
Render? Eu nem sei o que é isso!



((( Camila Senna )))






Minha alma...


Estive a vaguear por uma casa colorida... 
A visão que eu tinha era de pura alegria...
O som que eu ouvia era de uma linda sinfonia...
O chão que eu pisava era vestido de tapetes retalhados de ousadia.

Senti o toque suave da brisa em minha pele
Respirava com tesão de tão fascinada...
Com a sensação pela qual eu era tomada.

O lugar estava empoeirado por estar já algum tempo desabrigado
Mas nem escuridão, nem poeira... Nada!... Ofuscava o fulgurante lugar.

Uma energia do bem movia aquele pequeno paraíso.
Apenas uma casa...
Mas um mundo todo morando na mesma.

Era boneca de pano...
Fotografia por todos os lados...
Telhas coloridas pintadas a mão pelas paredes...
Era azul, era verde, era uma estrela cadente.

Espelhos cravados por todos os lados
Flores,
Plantas,
E papéis de poesia.

E ainda a vaguear, tropecei em um brinquedo,
Caí como uma criança indefesa.
Parei... E sorrindo pensei: "o nome desse lar chama-se alma".
- Minha alma.


((( Camila Senna )))




Essência escassa...



Poluição visual
Banalização normal,
Não tem olho nu...
Reveste-se de ouro e fede.

Teias encobrem sua retina
Seu gosto bom pela vida
Vida? - Vazia.
Os sentimentos inefáveis, já não fazem milagre.

O feio é interno
Ninguém diz,
Ninguém sabe,
Ninguém nota.

Truque barato
Sem questão,
Sem glória,
Pura apelação.

Bala no bolso
Uma pinga na boca,
Uma chica na cama,
E tudo rima.

Quando olhar para trás, não adianta mais...
Valores vão embora,
O que fica, é o amor para contar história...
Até o mesmo vai sumir da memória.

O pão que hoje você não dá valor,
Cuidado! Ele pode fazer falta amanhã...
Sendo o único suprimento
Para saciar seu tormento. 

((( Camila Senna )))